Meus 14 anos

02/2014

530400_10151289478039419_244903557_nPara algumas pessoas 14 anos podem significar tudo o que já viveu, para outros não representa nada mas eu posso dizer que na minha vida 14 anos significam escolhas, atitudes, mudanças, crescimento e muita aventura.

Hoje tenho 28 anos e exatamente na metade da minha vida travei contato com duas coisas que se tornaram o meu alicerce. Um esporte, a escalada e uma filosofia, o Yôga.

Estava eu em um domingo a tarde trancada em meu quarto estudando para uma prova do colégio. Uma amiga, a Roberta tocou a porta de casa me chamando para escalar. Mal sabia eu do que se tratava, mas como tinha prova preferi ficar em casa estudando.

Minha mãe inconformada com meu estranho comportamento (naquela época jamais trocaria uma aventura por estudos). Lembro da minha mãe me questionando se eu estava bem e insistindo para eu ir escalar com minha amiga.

Sabe como é conselho de mãe né?

_FOT7079 copyAcho que durante muitos anos a minha mãe se arrependeu profundamente, mal sabia ela que eu levaria tão a sério uma brincadeira de domingo a tarde.

Experimentei pela primeira vez a escalada indoor em um ginásio que hoje infelizmente já não existe mais, o Crux.  Nesse dia, folheando uma revista de escalada, vi uma foto em que duas pessoas estavam “acampadas” no meio de uma parede vertical!!

Foi paixão a primeira vista. Agora eu precisava descobrir e viver a sensação de dormir em meio a uma grande parede! Pronto, acabava de nascer meu novo objetivo na vida, escalar um Big Wall!

Mergulhei de cabeça no mundo vertical, cada dia que passava adaptava minha vida nas condições de uma escaladora.

Todos os finais de semana eu viajava para escalar, por muito tempo só via pedra em minha mente, acho que se fizesse uma ressonância magnética teriam pedras de todas as formações possíveis. (Arenito, granito, calcário… etc)

Rapidamente a escalada deixou de ser um esporte e se tornou meu life style.

Na vida cada escolha é uma renuncia. E eu para me tornar uma verdadeira escaladora precisei renunciar algumas coisas como amigos (meu ciclo de amizades foi naturalmente se adaptando), festas, baladas, horas de sono extra, família …  Definitivamente tive a oportunidade de praticar um conceito ético que aprendia no Yôga, o Aparigharba – o desapego. (não vejo isso como algo ruim, mas como uma oportunidade).

Em compensação eu vivia algo incrível, aprendi a viajar sozinha, chegar a lugares desconhecidos e pelo simples fato de portar uma sapatilha de escalada já tinha grandes amigos em uma cidade que nunca havia estado antes. Pude passar por locais onde ninguém nunca pisou antes.

Aprendi a confiar minha vida em pessoas que conhecia a poucas horas.

Percebi com a escalada que no mundo existem milhares de pessoas incríveis que estão de coração aberto para a vida e vai te oferecer ajuda quando for preciso. Descobri que o conceito dos três mosqueteiros “um por todos e todos por um” é verdadeiramente aplicável.

Quando escalamos, estamos sempre presos um ao outro por uma corda que batizamos de cordão umbilical, esse nome não é a toa, pois quem escala sabe o quanto conseguimos perceber exatamente o que o nosso parceiro está passando, mesmo se ele estiver a 30m de distância e sem conexão visual, de alguma forma magnética o sentimento é perfundido através da corda.

Nesses 14 anos de vida vertical, posso dizer que escalar é fácil, se você consegue subir uma escada, você sabe escalar. Agora o que torna a escalada inusitante são as grandes emoções que ela lhe oferta, algumas que já foi extinta desde o tempo de criança, e justamente não saber o que fazer com algo que simplesmente acontece dentro de você representa uma grande oportunidade para se tornar íntimo de si mesmo, aplicar auto-estudo e se conhecer cada vez melhor, tornando mestre de si mesmo.

Escale sempre consciente. Faça um curso com um profissional para aprender os procedimentos e utilizar de forma correta seus equipamentos de segurança!

A vida é uma só e é muito sincera! Respire fundo e desfrute do seu verdadeiro prazer!

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